Três investigadoras do CCMAR receberam prémios Tech2Market
Ana Grenha, Maria Clara Costa e Luísa Custódio receberam menções honrosas no concurso Tech2Market promovido pela Universidade do Algarve. Os prémios não só distinguiram o mérito das tecnologias desenvolvidas por estas investigadoras, mas também incluíram vários incentivos e ferramentas para a sua transferência para o mercado. Fomos falar com as investigadoras para saber mais sobre as suas tecnologias e futuras prospectivas.
ANA GRENHA
Ana Grenha é uma investigadora sénior do CCMAR, onde trabalha em estratégias de administração de fármacos (drug delivery).
Ana, fale-nos um pouco da sua tecnologia.
Está relacionada com o tratamento da tuberculose. Consiste num transportador formado por micropartículas de polissacáridos, o qual contém os fármacos utilizados no tratamento da doença, mas que pode ser inalada pelo doente. Estas micropartículas têm afinidade elevada pelas células hospedeiro da bactéria causadora da tuberculose – os macrófagos alveolares. Após a sua inalação, as micropartículas entram nos pulmões do doente, onde são fagocitadas (digeridas) pelos tais macrófagos alveolares. Assim, poderão libertar os fármacos que transportam diretamente no local da infeção.
Qual o potencial desta tecnologia?
Melhorar a eficácia terapêutica e possivelmente reduzir as doses e a duração do tratamento da tuberculose, reduzindo os efeitos secundários e melhorando a adesão dos doentes ao tratamento.
Que oportunidades traz este prémio?
Prosseguir com o processo de patenteamento do produto, que teve início em 2015, dar mais visibilidade ao produto e potencialmente encontrar um interessado para prosseguimento dos estudos e futura comercialização
MARIA CLARA COSTA
Maria Clara Costa, Professora Auxiliar do Departamento de Química e Farmácia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve e Investigadora Principal do CCMAR (Equipa de Tecnologias Ambientais do grupo ECOREACH).
Clara, fale-nos um pouco da sua tecnologia.
A tecnologia consiste num processo para recuperação de ouro, na forma de nanopartículas, que utiliza para o efeito um efluente de um processo biológico de tratamento de águas ácidas de mina.
Qual o potencial desta tecnologia?
O potencial reside precisamente no facto de utilizar um efluente (tratado) para obter nanopartículas de ouro metálico, o que o torna um processo atrativo do ponto de vista ambiental e económico.
Que oportunidades traz este prémio?
Será um contributo para a implementação de processos que permitam reutilizar e aproveitar fontes secundárias de metais (o que é relevante para a sustentabilidade dos recursos existentes no planeta). Para o meu trabalho de investigação constitui sem dúvida um incentivo e espero que se traduza em novos projetos, que permitam, nomeadamente, uma aplicação industrial da tecnologia em causa.
LUÍSA CUSTÓDIO
Luísa Custódio é investigadora sénior do CCMAR desde 2010. Trabalha em biotecnologia marinha, mais especificamente em aplicações biotecnológicas de plantas marinhas.
Luísa, fale-nos um pouco das suas tecnologias.
Consistem no desenvolvimento de extractos de plantas marinhas com propriedades anti-envelhecimento, para incorporação em produtos de cosmética, e produção de plantas halófitas medicinais selecionadas em sistema integrado utilizando efluentes de aquacultura.
Qual o potencial destas tecnologias?
Produção e comercialização de produtos cosméticos inovadores, e optimização de um sistema sustentável de produção de plantas medicinais.
Que oportunidades traz este prémio?
Este prémio vai permitir desenvolver e implementar estas tecnologias, desde o estabelecimento de contatos nacionais e internacionais até ao estabelecimento de um plano de negócio.